Terça-feira, 7 de Novembro de 2006

"Outro conto..."

Sentia-me sozinha…

Vagueava pelas ruas quase desertas aquela hora.

A minha vida tinha-se tornado numa permanente rotina a que já estava habituada, casa trabalho, trabalho casa, e actualmente nada de novo acontecia, sentia-me presa a hábitos diários, não estava a conseguir libertar-me destes pequenos costumes. Os amigos sempre os mesmos, o trabalho que já mantinha à 6 anos, apesar de não ser rotineiro, sofria de constantes pressões todos os dias, o que me obrigava a travar batalhas contra princípios da empresa que sabia de antemão que não eram os mais correctos, e que nem os iria conseguir vencer, apesar de continuar a ser uma idealista, e nem sempre chegava a casa com a verdadeira sensação de dever cumprido, sentia-me ligeiramente frustrada com o rumo que a minha vida profissional tinha seguido apesar de gostar do que fazia. A juntar a isso tudo, tinha uma verdadeira vontade de liberdade, de me evadir desta cidade que já conhecia tão bem, de conhecer pessoas novas, de explorar novos horizontes, de respirar outros ares…

Tive vontade naquela noite de vaguear um bocadinho pela cidade, e ao contrário do que julgava, quase que já não a conhecia com as recentes obras no edifício onde se realizava o teatro, as ruas estavam mais bonitas, remodeladas, até parecia que se tinham tornado mais amplas, alguns edifícios tinham sido restaurados, pareciam outros, tinham aberto novas lojas, parecia que a cidade se tinha transformado para receber novos residentes, novas visitas, mais turistas até…

No entanto, enquanto percorria aquelas ruas iluminadas pelos vários candeeiros espalhados ao longo do passeio, sentia que não tendo família naquela cidade, estava completamente sozinha, sentia aquele vazio que se sente quando temos dificuldade em aceitar que traçamos um destino e que independentemente das opções feitas, temos que enfrentar as dificuldades e que por vezes precisamos daquelas palavras que nos chamam a razão e que nos mostram o que realmente é o certo para nós, apesar de sabermos bem qual é o caminho correcto a seguir, apesar de não querermos ver. Apenas precisamos de nos sentir amparados, por alguém que incondicionalmente gosta de nós, independentemente das decisões que tomamos, ou do caminho que escolhemos…

Precisava, naquela altura desse conforto. O meu orgulho sempre foi muito difícil de até de eu própria suportar, mas estava naquela noite a sentir falta desse carinho, dessas vozes amigas, desse ombro para me amparar.

Sentia-me fragilizada e já não era a primeira vez que isto me acontecia, apesar de dar uma imagem de mulher determinada e segura apesar das dificuldades que me iam aparecendo ao longo da vida, como qualquer outra vida de qualquer outra pessoa.

Sofria isolada.

Às vezes quando estava só, sentia uma enorme vontade de chorar, libertava toda a tensão acumulada, e muitas das vezes que isso acontecia, chorava em silêncio, no meu pequeno apartamento, longe de todos, sentia que chorando libertava os meus medos e frustrações e que quando acordasse seria um novo dia, acreditava piamente que seria concerteza um dia melhor que o anterior…

Sempre tive apesar destes momentos, a certeza que acabaria por resolver tudo pelo melhor, e que nada me iria impedir de seguir com o que foi sempre o meu grande objectivo. Ser independente, provar a mim própria que era capaz de enfrentar tudo o que isso implica, e isso estava a consegui-lo!

E assim seria desde o momento que tinha decidido o meu rumo.

 

Categorias:

Escrito por FlordeLis às 00:00
| Vossas memórias
24 comentários:
De kenekinha a 7 de Novembro de 2006 às 10:44
ora aí está algo que desconhecia..


De FlordeLis a 7 de Novembro de 2006 às 12:41
O que é que desconhecias...?





De apenasMadalena a 7 de Novembro de 2006 às 11:40
Bonito e triste ao mesmo tempo...
Por um lado vivemos apressados e presos a rotinas que nem nos apercebemos das mudanças ao nosso redor...
Por outro lado vivemos longe das nossas origens e isso traz-nos por vezes melancolia, mas também temos que pensar que muitas vezes vivemos onde nascemos, onde sempre vivemos e mesmo assim nos sentimos desenraizados, sózinhos e tristes...
Temos que ser positivos.Temos que tentar encontrar o lado positivo das coisas ou situações e agarrármo-nos a isso para minorizar a nossa solidão, seja ela de que espécie for....
Já sabes...pensamento positivo SEMPRE!
Bjokas de ânimo
Madalena


De FlordeLis a 7 de Novembro de 2006 às 12:43
Espera pelas cenas dos próximos capítulos...



De Ana a 7 de Novembro de 2006 às 14:00
Entendo perfeitamente o sentimento de vazio de impotência perante a solidão a falta de um ombro para encostar a cabeça, mas do que me habituei a ler por aqui sei que a personagem irá dar a volta a situação, aguardo com espectativa os proximos capitulos...
Bjos
Ana


De FlordeLis a 7 de Novembro de 2006 às 20:20
Tenta acompanhar as cenas dos próximos episódios....



De Paulo a 7 de Novembro de 2006 às 18:00
Imagino que te falte por muitas vezes esse ombro de aconchego, esse ombro que pode ser de familia como um ombro de carinho da pessoa ammada. Mas a vida dá as suas voltas e esse ombro um dia chega.
Beijinho e vou acompanhando este novo conto.


De FlordeLis a 7 de Novembro de 2006 às 20:23
E ja reparaste quantas voltas pode dar a nossa vida?



De Paulo a 7 de Novembro de 2006 às 20:43
Sim ja reparei bem nisso nas voltas que dá.
Até estou a viver talvez uma das maiores voltas da minha


De FlordeLis a 7 de Novembro de 2006 às 21:59
Aproveita cada momento, como se fosse o último!


De Francisco C. a 8 de Novembro de 2006 às 00:53
Obg pelo teu post.Ok vou passando entao aqui por este teu blog,que esta tambem ele muito engraçado.Continuacao de uns bons posts ehe.


De FlordeLis a 8 de Novembro de 2006 às 20:11
Obrigada por teres vindo conhecer este cantinho...
É um bocadinho diferente do outro blog, espero que gostes.



De Pequenita - Quando o Teu Corpo e o Meu.. a 8 de Novembro de 2006 às 11:39
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também..

beijocassss Pequenita


De FlordeLis a 8 de Novembro de 2006 às 20:13
Agradeço as palavras por ti deixadas, muito bem escolhidas e que fazem todo o sentido.



De Guilherme F a 8 de Novembro de 2006 às 13:19
E parece-me (parece?) que alguém inicia a travessia, carregando as pedras dos dias e das horas. Parece (talvez?) que o coração, frágil tecido feito de tempo e de sonhos descobre o doce sabor de estar vivo (vivo?).
Será que alguém te diz: sempre penssei em ti? e não tenho palavras para to dizer? (será).
Gostei muito das palavras.
Bjs
Gui


De FlordeLis a 8 de Novembro de 2006 às 20:16
E eu das tuas que deixaste aqui. Agradeço teres visitado este meu cantinho...
Espero que continues a gostar no futuro...



De nevoeiro_vagabundo a 8 de Novembro de 2006 às 18:12
vi-me por isntantes na tua historia...
beijo vagabundo


De FlordeLis a 8 de Novembro de 2006 às 20:18
E não nos vemos todos em algum momento das nossas vidas?





De Manuel a 8 de Novembro de 2006 às 20:34
Olá. Ontem tentei deixar umas palavras mas não consegui.
Se possível gostava que enviasses um e-mail para:
deproposito@sapo.pt
Quero que fiques bem, e a felicidade junto de ti.
Manuel


De FlordeLis a 8 de Novembro de 2006 às 21:22
Agradeço a tua passagem por cá... e espero que voltes de bom agrado.. :)
Até breve... (espero!)



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