Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Conto

 

 

 

 

 

Aquele ritmo inebriante envolvia-me os sentidos. Cada vez que o ouvia e ainda mais ali encostada ao balcão daquele bar perdido numa rua quase deserta, dava-me uma vontade de agarrar o primeiro homem que se cruzasse ali mesmo, não um qualquer entenda-se, mas um daqueles homens que qualquer mulher sonha, com um olhar penetrante, barba por fazer, ao estilo do envolvente macho latino, e dançar aquele tango que fazia trabalhar a minha imaginação à medida que olhava para o fundo daquela divisão quase sombria, onde apenas algumas luzes débeis iluminavam o atmosfera que ali se respirava, abafada, com um odor a bafio e a tabaco, mas que parecia completo para a cena que nascia naquele momento, no meu intimo.

Dançava-se agora ali mesmo a minha frente. Contemplava as curvas perfeitas de um vulto feminino trajado de vermelho e próximo de si um outro, vestido de preto, onde se fazia notar as curvas de um corpo masculino sedutor e que a prendia firmemente, a medida que rodopiavam ao ritmo daquele som cativante que parecia satisfazer toda a sala, uma névoa cobria aquele ambiente, cheio de tensão deixando toda a sala entregue aquele momento. Brotava fumo dos charutos acesos de figuras que mais pareciam meros fantasmas colocados em cena espalhados a cada recanto da sala. A medida que o casal rodopiava, cativavam olhares atentos que se viravam em suas direcções.

E ali estavam eles. Envolvidos em impulsos compassados e na paixão que os unia pela dança, os seus olhares permaneciam fixos um no outro ignorando qualquer movimento ou copo partido que estilhaçava no chão ou nas ocasionais gargalhadas que se faziam ouvir de tempos a tempos e nada, mesmo nada desviava as suas atenções. Mantinham-se indiferentes a tudo e a todos apenas atentos aquela dança.

Senti uma respiração bem perto, abafada, quase estremeci, o que me fez despertar da imaginação que se deparava mesmo ali em frente, e voltando de novo à realidade ouvi uma voz masculina que se dirigia a mim, vinda de alguém que me estendia a mão.

- Dança?

Categorias:

Escrito por FlordeLis às 00:00
| Vossas memórias
8 comentários:
De Secreta a 3 de Dezembro de 2007 às 14:35
E a resposta seria , sim , com certeza! Porque a magia e os sonhos podem tornar-se realidade!
Beijito.


De Arte de Amar a 3 de Dezembro de 2007 às 15:40
;) agora fzeste imaginar....e depois da dança?!!!

Sonhei comigo
esta noite
Vi-me ao comprido
Deitada
Tinha estrelas
nos cabelos
em meus olhos
madrugadas
Sonhei comigo
esta noite
como queria
ser sonhada
Senti o calor da mão
percorrendo uma guitarra
De longe vinha um gemido
uma voz desabalada
Havia um campo
de trigo
um sol forte
me abrasava.
E acordei
meio sonhando
procurando
me encontrar
Quando me vi
ao espelho
era teu
o meu olhar.

Kiss
Boa semana
http://intimomisterio.blogs.sapo.pt



De Mr.Blonde a 3 de Dezembro de 2007 às 19:49
Sempre que cá venho... é um mundo aos meus pés! muito bonito o conto! Parabéns!

Vou ter que começar a comentar mais vezes!BJS**


De ZePedro a 4 de Dezembro de 2007 às 11:49
Tal como acontece muitas vezes as tuas palavras fazem com que eu relembre momentos passados e o ambiente que descreves faz-me lembrar os antigos cabarets da noite de Lisboa, aqueles que foram ficando através do tempo sendo já anacronismos quando eu jovem os visitei.
Neste caso lembra-me o Ritz Clube onde fui várias vezes e onde o tempo parecia ter parado era quase o entrar num regresso ao passado com movimentos parecidos com os descritos.
Mas curiosamente á uns meses fui a uma discoteca que agora se chama Sarabanda e que á cerca de 25 anos se chamava Primorosa de Alvalade e fiquei tambem com a sensação que o tempo tinha parado desde então, mas neste caso até as pessoas que lá estavam eram as mesmas apenas com mais anos em cima e voltei a ver os antigos jogos de sedução que acontecem na dança desde o meter a perna, o da senhora a meter travões e tambem a entrega quando tal acontecia.
Gostei, obrigado, beijos


De Vera a 4 de Dezembro de 2007 às 12:07
Super sensual! Muito bem escrito/descrito!

Beijinhos

(Deixei-te um desafio... não és obrigada a aceitar!!!)


De impulsos a 4 de Dezembro de 2007 às 17:16
Hum... porque não?!
Seria a resposta mais aguardada do momento...

Este texto lido ao som da música divina do tango, fez-me arrepiar de emoção.
Adorei!!!

Beijo


De luafeiticeira a 4 de Dezembro de 2007 às 23:14
Oh se dança, então se for um daqueles descrtitos, enfim, daqueles que só se encontram rarmente...
beijos


De sónia a 5 de Dezembro de 2007 às 15:24
um conto curto, mas de uma enorme beleza!

beijitos


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