Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Conto XVII Parte

Deste-me a mão. Conduziste-me calmamente pela avenida, ate chegarmos a um pequeno miradouro virado para a praia, mais ou menos a meio de toda a extensão da praia e ficamos mais uns momentos sem pronunciar qualquer palavra, a olhar para o mar, agora prateado ao sabor do reflexo da lua.

- Não posso. - Disseste-me.

- Não podes, o que?

- Não me posso envolver com ninguém.

- Porque? Engoli em seco.

- Porque… não me sinto preparado.

- Explica-me o que se passa contigo, sinto que a tua vida é repleta de segredos, de esconderijos onde te refugias, e onde não deixas entrar ninguém, que não deixas que se aproximem demasiado, agora não percebo é se te queres proteger, ou se estas a fugir. Desculpa a sinceridade, mas tanto segredo, só da vontade de te abanar para ver se sai alguma coisa dai de dentro!

Sorriste com o meu comentário.

- Gosto da tua espontaneidade.

- É o que sinto, apenas isso. Explica-me, porque é que moras naquele local, tão longe de tudo e de todos, não me parece que tenhas sido pescador toda a vida, e aquele quadro que tens em tua casa tapado… fala-me de ti, diz-me quem realmente és!

- Quantas mais perguntas fazes…

- Já sei – interrompi. – Menos vontade tens para falar sobre ti. Eu compreendo. Sou uma quase desconhecida, porque e que me haverias de dizer o que quer que fosse? Não tens que te justificar.

Olhaste para mim, sem saber o que me responder. Senti a dúvida que tinhas espelhado no teu rosto, senti o desespero a consumir-te, senti também a tua vontade de deitares tudo cá para fora, mas algo te impedia.

- Mas eu quero. – Disseste, interrompendo o silêncio.

Fiquei suspensa na tua resposta.

- Então, sou toda ouvidos.


Escrito por FlordeLis às 11:43
| Vossas memórias
Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Sentir

 

Consigo saber por onde andas, apenas pelos sentidos. Consigo experimentar o aroma do teu perfume por onde passas. Consigo ver as tuas pegadas e saber que são tuas. Consigo tocar no objecto que tocaste e saber que tem as tuas impressões digitais gravadas no seu corpo. Consigo ainda ouvir as tuas expressões tal e qual como as usas comigo e que eu tanto adoro. Consigo ainda sentir aquilo que os teus lábios provocavam cada vez que beijavam os meus.

 

E tu… alguma vez conseguiste?

 


Escrito por FlordeLis às 17:01
| Vossas memórias
Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Porque...

 

Porque as palavras têm sentido.

Porque só as profiro quando as sinto.

Porque sempre fiz questão de apenas revelar sentimentos quando vividos, e nunca como profiro um simples bom dia, ou obrigado.

Porque se confundem sentimentos fugazes com sentimentos nobres.

Porque é tão mais fácil falar, mas muito mais difícil distinguir.

 

Por isso tudo, nunca te direi o que queres ouvir.

 


Escrito por FlordeLis às 01:00
| Vossas memórias
Sábado, 1 de Janeiro de 2011

Rapidinha

Este pequeno conto foi-me enviado. Espero que gostem.  E atençao, o nome escolhido, tem a ver com o numero de palavras que este texto contem, nao particularmente com o seu conteúdo... :)

 

Não sei se fazia calor ou estava frio.

Sei apenas que a tarde convidava às delícias próprias de quem se estava a apaixonar, naquele pequeno jardim ali perto do nosso local de trabalho.
Não que a relação fosse algo sério. Era algo. Uma chama. Fazia-me sentir a mim, viva. Desejada. A ele, excitado. Provocador. Aproveitávamos o que a vida nos proporcionava. O que o corpo nos pedia. Aquilo a que a vontade comanda. No jardim era muito mais fácil fazer deslizar dedos por entre pregas de roupa. Línguas por decotes acentuados. Mãos que repousavam em volumes latejantes. Permitia ainda sentar-me no seu colo, em plena luz do dia, levantar a saia e deixar que os seus dedos me explorassem até me vir num orgasmo atordoante e avassalador. Depois desse dia em uma das nossas escapadelas, acabámos por fazer amor, sentados num banco mais resguardado do público. Excitante a sensação do perigo. Extraordinários os sentidos provocados por estar onde não deveríamos, a fazer o que poucos se atreveriam a fazer ali.
Os beijos aqueciam a pele, o fogo consumia-nos por dentro. Sentir o seu corpo mover-se dentro do meu, as suas mãos a segurar-me pelas nádegas, os meus joelhos fincados no banco. O seu olhar extasiado. O sorriso, a boca entreaberta. Os gemidos em sussurro. O vaivém dos nossos corpos. O suor. Os movimentos circulares, o bambolear.

O grito de prazer preso na garganta.

 


Escrito por FlordeLis às 15:39
| Vossas memórias | Devaneios (3)

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