Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

[Re]encontro

 

 

 

A minha impaciência. A tua. Um sorriso. Uma gargalhada em resposta.

Dê-mos as mãos e lá fomos nós, como dois adolescentes a correr pela rua fora, naquela noite que prometia ser bastante fria,nada convidativa para passeios de namorados.

Escondemo-nos na primeira porta entreaberta de um dos prédios que percorriam aquela rua, não me lembro exactamente qual, apenas me recordo que olhamo-nos fixamente e à claridade do luar que espiava pela vidraça, preenchemos o vazio do espaço que nos circundava com beijos ansiosos do gosto, da melodia que o prazer em nós produzia, dos limites de que os nossos corpos prometiam ultrapassar de tão perto que se encontravam.

Estar apenas perto de ti, era a garantia de que o aroma do teu corpo me deixava entregue às mais ínfimas fantasias que me assolavam a mente. Sempre foi assim e naquela noite não foi diferente até porque estávamos empenhados em rever-nos.


Escrito por FlordeLis às 14:04
| Vossas memórias
Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

Facebook

Ca estou eu novamente no Facebook, apesar das contrariedades... ;))

 

 

Memórias Secretas

 

 

 


Escrito por FlordeLis às 18:21
| Vossas memórias

Conto XX Parte

Depois destas revelações, a realidade em que Pedro vivia, para mim, agora fazia todo o sentido. O seu isolamento, as suas respostas ríspidas ao inicio, quando inocentemente lhe fazia questões que pareciam ter respostas simples, as suas alterações de humor constantes, as suas reservas. E uma pergunta permanecia no ar, a que tentava responder e várias respostas surgiam, mas que chegavam sempre à mesma conclusão, o que é que eu estava a fazer ali.

Parecia óbvio que nada iria fazer mudar a maneira como Pedro se sentia em relação ao que lhe tinha acontecido, a todo o seu passado com Catherine, e que dificilmente iria seguir em frente com a sua vida. Esquecer seria impossível, isso seria lógico, mas pelo menos atenuar e traçar um rumo seria essencial. Sobretudo para ele.

Apetecia-me abraça-lo, faze-lo sentir que esses momentos já tinham passado, e que eu, se ele quisesse, estaria ali.

 

Olhava para ela e agora? Tinha dito. Pronto, tinha revelado o que mais de secreto tinha de si. Que iria ela pensar dele? Este pensamento estava presente e não o largava. Ficou admirado no entanto pela sua perspicácia quanto ao quadro, mas já tinha percebido que não estava a lidar com uma miúda qualquer. Até poderia ter espreitado enquanto teve à sua espera, mas duvidava que o tivesse feito. Ali estava alguém que o entendia, uma mulher que apesar de não conhecer a sua história tinha ligado todos os pormenores e percebido o que ele não contara, e que tinha deixado nas entrelinhas. E o pouco que conhecia dela, já tinha percebido que provavelmente a sua curiosidade não ficaria por ali. E no entanto, a vontade de estar com ela só se tinha intensificado, não se imaginava a contar tudo aquilo a uma simples desconhecida sem nutrir algum tipo de sentimento, o que o fazia sentir mais confuso, mais receoso do que poderia vir daí, e o que mais o deixou admirado depois de tudo aquilo, o que estava a piorar as coisas e a confundir as suas convicções.

Por momentos, fez-lhe lembrar… Catherine.


Escrito por FlordeLis às 17:59
| Vossas memórias
Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

Conto XIX Parte

Suspiraste e olhaste para mim, como quem respira fundo e pensa que já não há hipótese de fugir a uma conversa adiada.

 

- Já se passaram dois anos desde que tudo aconteceu… Quando vivia em Grimsby*, não vivia sozinho. Na altura era casado. Tínhamos casado há cinco anos, eu e Catherine, a minha mulher…

Eu olhava para ele, e mantinha-me em silêncio, à espera do desenrolar da história, paciente, sem saber onde tudo aquilo nos iria levar.

- Ela era descendente de origens portuguesas. Alegre, amiga, sempre bem-disposta. Vivíamos numa casa assim como esta onde vivo agora, à beira-mar e num dos passeios de barco que fazíamos habitualmente fomos surpreendidos pela mudança dos ventos, o mar encrespou de um momento para o outro e quando demos por isso, estávamos no meio de uma tempestade medonha, como aquela naquele dia em que nos conhecemos…

- Sim …

- E, de repente… - apesar da escuridão, consegui perceber que ele estava com os olhos banhados em lágrimas que ameaçavam a qualquer instante explodir – de repente o mar levou-a. E nunca mais a trouxe. Não consegui fazer nada, percebes?! Ainda me atirei ao mar, mas tive que desistir, estava escuro como breu e se não saísse dali, não estaria aqui a contar-te agora esta história! - Olhaste directamente para mim, com um olhar aflito, as lágrimas que outrora prendias, rolavam agora no rosto em liberdade, fiquei gelada, apenas de ouvir e de imaginar o que se teria passado naquela tarde, a aflição, o terror, o sentimento de se perder alguém que se ama. – E desde esse dia, que não me consigo imaginar com outra pessoa…

Ficamos em silencio absoluto, eu porque nao sabia o que dizer depois daquilo tudo. Ele, porque as memórias eram crueis.

- Porque é que vieste para Portugal? Perguntei, quebrando o gelo.

- Para estar mais perto das suas origens, para fugir daquele local, que me traziam tantas lembranças…

- Mas escolheste um sítio semelhante para viver, porque ?faz-te sentir mais perto… dela?

 - Sim… acho que sim…

- Mas o mar não a vai trazer de volta… - arrisquei a dizer.

- Eu sei. Mas é onde me sinto mais próximo da sua alma.

- Quase que arriscaria qual a imagem do quadro que escondes em tua casa…

Olhaste-me surpreendido pelo meu atrevimento. O teu olhar transmitiu-me um sentimento de raiva, enrijecendo-me os sentidos, mas fizeste-os acalmar assim que percebeste o que estavas a transmitir.

 - Pois… é exactamente o que estás a pensar.

 

 


Escrito por FlordeLis às 15:42
| Vossas memórias
Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Primeiro Beijo

 

 

António.

Era assim que ele se chamava.

Eu tinha 14 anos naquela altura. Ele, mais um do que eu. Estávamos nos primeiros dias das férias. Tudo foi planeado por mim ao pormenor. O dia, o motivo pelo qual iria a sua casa. Tinha até um motivo bastante válido, um trabalho de grupo que tinha urgentemente que ser acabado.

Foram bastantes os olhares, os sorrisos, que levaram até ao dia que decidi que seria com ele. Que ele seria o escolhido para o meu primeiro beijo, de língua. Beijo que queria experimentar. Tínhamos combinado no último dia de aulas antes das férias, que estaria em sua casa a uma determinada hora, no dia seguinte. E ali estava eu à porta do seu prédio a tocar a campainha à hora combinada. O prédio já demasiado antigo, admirava-me como a campainha ainda funcionava. Nada. Esperei. Ansiosa por algo que tinha imaginado que ia acontecer, vezes sem conta, na noite anterior, nos dias anteriores a muitas noites que se antecederam. Tentava imaginar qual seria o sabor dos seus lábios. O seu gosto. Como beijaria. Voltei a tocar e mais uma vez esperei. Vi-o ao virar da esquina. Disse-me olá, e sorriu. Sorri-lhe também. Subimos as escadas em silêncio, o nervoso miudinho instalou-se, o coração batia apressado. Estar perto dele, com aquelas ideias na cabeça, estava-me a deixar nervosa. Concluímos o trabalho sem grandes demoras. Levaste-me até à porta. Até que arranjei a coragem para fazer o que me tinha proposto. Aproximei-me e sorri e esperei por um sinal de que também querias o mesmo que eu. E um beijo com um entrelaçar de línguas, com gostos confusos e sem qualquer nexo surgiu. Uma confusão de sensações barrou todo aquele momento que tinha tudo para ser mágico.

 

Não voltei a repetir. Pelo menos com António.

 

 

 


Escrito por FlordeLis às 11:14
| Vossas memórias

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