Domingo, 4 de Março de 2007

Envolvida em ti

Tinha estado contigo ao telefone à algumas horas atrás.

E senti aquela saudade que nos faz vibrar, ir ao encontro do que realmente sentimos falta, apenas não tive coragem para te dizer isto. Que sentia uma saudade imensa e que tinha sido uma parva.

E agora estavas ali diante de mim. Não sabia se tinha feito bem em ter voltado, mas agora não tinha qualquer dúvida. Por quanto tempo iria ali estar não importava naquele momento, apenas desejava vive-lo, afinal tinha sido isso que me tinha impelido a sair de casa naquela noite.

Dançamos ao som de uma música de fundo, sem dar muita importância á presença dos criados que circulavam subtilmente sem incomodar, sentia-me leve nos teus braços, ainda não tinha perdido a noção da realidade, pelo menos até  aquele momento. E afinal já não era só eu que parecia ouvir aquela música, o teu corpo balançava ao mesmo ritmo acompanhando os acordes. Talvez a tivéssemos a ouvir apenas os dois, talvez o sonho estivesse a ser partilhado por ambos. Olhamo-nos fixamente e os teus olhos pareciam que, não estavas a olhar para mim, pareciam focados na minha alma, incomodavam mas sentia que não eram necessárias palavras para o que estávamos a viver ali. Cerrei os olhos, sentia o teu respirar bem perto dos meus lábios, sentia por dentro um fervor que crescia rapidamente, que percorria todo o meu corpo, sem qualquer tipo de controlo,  o desejo da entrega estava a aflorar-me na pele e estava a tornar-se insuportável. Envolveste-me com ainda mais firmeza. Os teus lábios entreabertos estavam ali tão perto dos meus, parecia que estavas a testar a minha teimosia, a minha vontade, torturavas-me com a espera, mas era impossível deixar de te desafiar também, não deixando que avançasses, afagavas os meus cabelos, seduzias-me com o teu jeito que sempre admirei, simples mas bastante seguro de si. Perdi completamente a noção das horas. O desejo de te beijar tinha crescido bastante desde os dois últimos segundos atrás, enquanto as tuas mãos bailavam já afagando o meu corpo, e por maldade resistia ao desejo que me aflorava debaixo daqueles tecidos que me cobriam, sem noção já da realidade, olhava para os teus lábios, não conseguia afastar o meu olhar, imaginava a que saberia o teu beijo, qual seria a sensação que teria quando cruzássemos as nossas línguas, e sentisse o desejo que também sentias, mas que controlavas, com um doce sabor a vingança.

Doce, mas mesmo assim parecia um castigo. O teu tempo de espera tinha sido maior que o meu, eu sabia e sempre o soube, desejaste-me durante dois anos e eu ignorei-te, fazendo-me de despercebida e fingindo que não via o que estava a vista de todos.

E agora eras tu que tinha o controle da situação e parecias saber muito bem o que estavas a fazer, não vacilavas, apenas adiavas o inadiável.

 

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Escrito por FlordeLis às 00:00
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