Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

"Viagem..." 3ª parte

Entrámos de mansinho, com receio de acordar alguém…

Ao cimo das escadas estreitas, encaminhaste-me para o quarto onde estavas hospedado, abriste a porta, e apesar de pequeno, fez-me sentir confortável, à medida que olhava em redor...

Estava quase a morrer de frio, deitamo-nos para nos aquecermos um pouco, mesmo vestidos por baixo das mantas. Aninhei-me junto de ti, na esperança de aquecer mais depressa, mas estava difícil, o frio tinha-se instalado e parecia não querer largar os nossos corpos, que tremiam, de tão congelados que estavam…

-Daqui a pouco já estamos quentes, disseste tu…

Aproximaste-te ainda mais e disseste-me ao ouvido…

-Deixa-te levar…

Como se isso fosse muito difícil, pensei eu...

Introduziste a tua mão delicadamente pelas minhas calças e lentamente afastaste as minhas cuecas, os teus dedos movimentaram-se de maneira a provocar o meu desejo, beijaste a minha boca provocatoriamente, sabendo de antemão que aquele teu gesto me deixava louca sempre que o fazias, contorci-me ao sentir-te, humedeceste-me de seguida, com a tua saliva quando levaste os dedos à tua boca, provando o meu gosto, lambendo os teus dedos de forma a que me desses a perceber que adoravas aquele odor, o que me excitou ainda mais… os nossos corpos começaram finalmente a sentir calor, e à medida que nos fomos despindo com uma certa rapidez, os nossos beijos deixavam-nos completamente entregues à tesão que percorria os nossos corpos, beijava-te desenfreadamente, quis engolir o teu sexo ao mesmo tempo que me tocavas, mas não me deixaste, arrastando-me para a pequena varanda do quarto que dava para uma rua estreita com pouca luz.

Abriste de par em par as portadas de vidro e ali ficámos nós completamente despidos, perante qualquer olhar, qualquer movimento, qualquer pessoa que passasse ali mesmo em baixo. Das janelas via-se apenas escuridão e em algumas ainda se viam luzes acesas aquela hora… estávamos entregues assim, a qualquer olhar.

Beijei-te mais ainda, e senti-me desafiada…

Segurei-me àquela varanda, contorcia-me sentindo os teus beijos pela nuca, pelas costas, percorreram o meu corpo. O frio, se existia, deixei-o de sentir.

Atrás de mim apertaste-me o peito contra a tua mão, sentias os meus mamilos rijos ávidos de desejo, introduziste o teu sexo por mim adentro e senti-te húmido, senti o quanto estavas excitado. Completamente entregues aquele acto sexual, beijavas-me o pescoço como se fosses um predador, a tentar dominar a sua presa, o que me excitava, ao mesmo tempo que me devoravas, que entravas por mim adentro, mais ritmado ainda… atingimos um orgasmo quase em simultâneo, o meu corpo estremeceu,não de frio, mas de um prazer instantâneo, abraçaste-me e assim permanecemos algum tempo sem falar, apenas aliviando a nossa respiração, deixando os nossos ritmos cardíacos voltarem ao normal.

-Ainda sentes frio? perguntaste com aquele teu sorriso malicioso.

Observei-te.Tinhas acabado de realizar uma fantasia minha,que já conhecias.O que eu não te disse é que durante o tempo que ali estivemos, alguém nos espreitou, e se deliciou também com o nosso prazer…

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Escrito por FlordeLis às 00:00
| Vossas memórias | Devaneios (24)
Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

"Viagem... " (2ª parte)

Sorriste-me de volta.

Assim que cheguei perto de ti, abraçamo – nos como apenas nós sentíamos aquele abraço cheio de sentimento, como se transportássemos para aquele gesto tudo o que nos unia apesar de estarmos longe um do outro, e de nada fazer sentido numa relação como a nossa, mas que sempre íamos alimentando com fé e esperança de um dia tudo mudar. Beijamo-nos de igual modo, os nossos beijos sedentos dos nossos lábios que se uniam sempre com tanta vontade e tanto desejo que ao fim de cada beijo, os nossos lábios ardiam, ficavam sôfregos de tanto que era o nosso anseio.

Acalma-mos um pouco antes de entrarmos para o bar, o meu rosto rosado da fricção da tua barba deixava-me incomodada mas ao mesmo tempo era o aclamar de dois corpos que se queriam fundir, mesmo ali à porta daquele botequim.

Entramos, e naquele espaço o fumo pairava no ar, apesar da pouca luz que apresentava, via-se um balcão ao fundo dessa sala do lado esquerdo, onde alguns rapazes de tenra idade se inclinavam sobre ele para pedirem bebidas a um outro homem, mais maduro, com um rosto que fazia denotar uma vida feita sobretudo à noite, já à bastante tempo. Do outro lado algumas mesas redondas estendiam-se  ao longo da sala, e mais à direita estava um pequeno palco de madeira improvisado, embora estivesse vazio, parecendo aguardar já à algum tempo uma banda que teimava em não aparecer. Mais perto do bar e da porta estava uma mesa de bilhar, onde estavam um grupo de rapazes e raparigas a jogar e a bebericar cerveja rindo às gargalhadas de algo dito anteriormente.

Dirigimo-nos ao bar e pedimos duas bebidas enquanto ouvíamos a música um pouco alta para aquele espaço, mas que parecia não incomodar ninguém, excepto nós. Falamos, sorrimos, trocávamos olhares que nos denunciava, dançamos ao ritmo de uma música rock já um pouco antiga, roçamo-nos descaradamente sem nos importarmos com os olhares subtis de quem estava à volta mas que não nos passaram despercebidos, provocando em nós, mais vontade ainda de atiçar, mais desejo, mais loucura.

- Hoje tenho uma surpresa para ti. – Disseste – me ao ouvido, de maneira a conseguir ouvir no meio daquela musica ensurdecedora.

- O que é?

- Já vais ver…

Pegaste-me pela mão, pagámos as bebidas e saímos do bar.

O frio parecia facas a espetar-nos a carne, tiritava os dentes de tão gelada que fiquei nos instantes a seguir, não se podia estar muito tempo na rua, abraçando-me para me protegeres do frio encaminhaste-me para a porta da pensão onde estavas hospedado.

- Entra…

  • ps. Vai ter uma terceira parte, lógicamente, pelo que espero aumente a vossa curiosidade em relação a este desfecho...
: na expectativa...
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Escrito por FlordeLis às 00:00
| Vossas memórias | Devaneios (20)
Sábado, 9 de Setembro de 2006

" Viagem..."

Passei o dia a trabalhar.

Mas, algo tinha ocupado os meus pensamentos durante o dia, aquela viagem planeada, que estava destinada desde o dia anterior, mas que estava a demorar, ávida como eu estava…

Arrumei algumas roupas dentro de um saco e lá fui eu, para uma vila quase deserta naquela altura do ano onde tu estavas a trabalhar e naquele Inverno o frio estava a agir sem dó nem piedade, e não nos esperava um fim-de-semana mais agradável, nada o fazia prever. A noite estava estrelada, o céu limpo mas na rua, nem com um casaco bem grosso fazia permanecer o ar gelado do lado de fora e o meu corpo arrefeceu quase por instantes.

Ja no carro, fiz-me à estrada.                                                                         

No caminho, ao som da rádio que nestes momentos faziam aquela doce companhia, revia a nossa conversa do dia anterior… tínhamos rematado os últimos pormenores e ficamos bastante tempo à conversa tal como adolescentes que namoram ao telefone horas a fio…

Estava desejosa de chegar perto de ti, já não te via desde a semana passada, e isso tinha-me criado uma saudade imensa; a nossa relação nunca foi fácil a todos os níveis imagináveis ou não, e sempre que podíamos era para estarmos juntos, apenas algumas horas ou mais do que isso, mas qualquer minuto ao teu lado compensava o tempo que estávamos afastados… desta vez, seria um fim de semana, mesmo que tivesses a trabalhar um desses dias, o outro seria dedicado apenas a nós, apenas ao que nos desse mais prazer… a estrada parecia não acabar, a chuva começou por fazer companhia e já de noite aqueles caminhos desertos sem ter movimento, ou qualquer outro tipo de sinais de vida, assustavam-me um pouco, apenas se viam campos extensos e montanhas que se erguiam na noite como vultos gigantescos em quase completa escuridão atrás de mim, e à medida que me afastava, eles iam ficando para trás imóveis, apenas observando… A chuva caia agora mais intensamente, as estradas tornaram-se ainda mais escuras, e nunca tinha passado ali, fazendo-me reflectir que deveria ter um pouco mais de cautela, mas o desejo de chegar, estar ao pé de ti, era muito maior que o meu sentido objectivo e cauteloso, para estar preocupada com estradas escorregadias e com a escuridão… Já se avistavam algumas aldeias perdidas na serra, casinhas mesmo ali junto à estrada sinuosa, mas que de noite pareciam tristes e desoladoras… Foste-me sempre acompanhando durante a viagem com mensagens, para saber se estava bem, e agora mais perto já davas indicações por onde deveria seguir… já me sentia mais aliviada, menos tensa…

Já estavas à minha espera à porta de um barzito que ainda estava aberto àquela hora, e que parecia ser o único por aquelas bandas, naquela pequena aldeia perdida no meio do monte…

Lá estavas tu, com aquele teu olhar de criança traquina especado ao pé da porta.

Sorri…

                                          

(Continuação num próximo capítulo...)

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Escrito por FlordeLis às 00:00
| Vossas memórias | Devaneios (14)
Quarta-feira, 6 de Setembro de 2006

"Poema de Florbela Espanca"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Eu era a desdenhosa, a indiferente,

 Nunca sentira em mim o coração

 Bater em violência de paixão,

 Como bate no peito à outra gente.

 Agora, olhas-me tu altivamente,

 Sem sombra de desejo ou de emoção,

 Enquanto as asas loiras da ilusão

 Abrem dentro de mim ao sol nascente.

 Minh'alma, a pedra, transformou-se em fonte;

 Como nascida em carinhoso monte,

 Toda ela é riso e é frescura e graça!

 Nela refresca a boca um só instante...

 Que importa?... Se o cansado viandante

 Bebe em todas as fontes... quando passa?...

Florbela Espanca

 

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Escrito por FlordeLis às 00:00
| Vossas memórias | Devaneios (15)
Segunda-feira, 4 de Setembro de 2006

"Apanhados!"

 

Entrei de mansinho no quarto que dividias com os teus colegas de trabalho, sabia desde o dia anterior que serias o único naquele sábado que lá ficaria no armazém da empresa para a qual trabalhavas. As persianas corridas, o cheiro a bafio, o silêncio que se apoderava daquela divisão, o leve respirar profundo e compassado que se ouvia denunciava a tua presença… assim que me habituei à escuridão consegui ver o vulto que se estendia sobre um beliche pequeno, estavas deitado de costas para cima completamente despido, e as tuas curvas evidenciavam algo que me excitava em ti, que me dava um gozo em apalpar, acariciar….

Despi-me e aproximei-me devagarinho, não te queria acordar logo naquele instante mas não resisti e beijei-te o pescoço com beijos provocantes, quase mordidelas denunciadas…

-Olá… estas aqui? Pensei que não vinhas… murmuraste tu, virando-te de lado para mim estendendo-me o teu braço em jeito de enlaço.

-Shiiiiiiu… Ordenei-te eu baixinho, obrigando-te a ficares na mesma posição em que te encontravas.

Deixaste-te ficar, permaneceste na expectativa. Fui-te beijando ao longo das costas, devagar, mordiscando, apanhando-te desprevenido, fazendo-te arrepiar e estremecer às minhas passagens mais intensas, mais provocadoras, menos subtis. Quiseste-te virar mas não te deixei, continuei… agora nas tuas nádegas, pernas… ficaste rendido ao desejo que tinha crescido rapidamente, e agarraste-me instintivamente e fizeste-me o mesmo, sem eu estar à espera… começamos a fazer amor sem demora, o quarto tornou-se pequeno, o calor aumentou dez vezes mais…

De repente ouviram-se passos mesmo ali fora do quarto mas dentro do armazém, que se dirigiam para a porta daquele anexo improvisado para os empregados,e o meu coração disparou sobressaltado, seguraste-me vendo o meu ar de assustada e pediste-me silêncio. Vestiste as calças e foste falar com o teu colega,que mais um segundo teria entrado e apanhado a ambos desprevenidos, uns minutos de conversa e depressa ele se apercebeu do que se estaria a passar, mesmo sem me teres denunciado, o que não foi difícil, e pouco tempo depois abandonou o local…

Escusado será dizer que voltamos ao que tínhamos interrompido, depois de ouvir a porta do armazém bater, mas fiquei a pensar. E se nos tivesse visto? Sorri….

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Escrito por FlordeLis às 00:00
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