Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Cruzamentos...

Deixei o meu carro imobilizado, mesmo em frente à escadaria que levava à mansão.

Parecia, e era imensa vista de perto. As escadas levavam a um átrio de mármore que por si só era maior que a minha casa e muitas que conhecia que são habitadas por pessoas normais. (bem vocês entendem o que quero dizer) Uma porta trabalhada em madeira e bem tratada sem vestígios do tempo, situada a meio do casarão, estava fechada mas permanecia imponente. Dirigi-me até ela e depressa toquei a uma campainha que se encontrava por perto.

Ao fim de algum tempo, um mordomo vestido de uma maneira muito peculiar sorria e encaminhava-me para um salão, onde com um simples gesto me indicou que seria ali que deveria aguardar. Respondi-lhe e acenei delicadamente com a cabeça em sinal de aprovação.

Olhei em volta.

A sala perdia-se de vista, mais parecia um salão para dança, do que uma simples sala de estar. Os quadros de pintores famosos estendiam-se pelas paredes imensas alternadas com candeeiros trabalhados. Toda a decoração se baseava num estilo renascentista, com alguns sofás e pequenas mesas de apoio que separavam o espaço entre eles, um piano estrategicamente colocado ao pé de uma janela parecia que apenas já se tratava de uma peça decorativa, tinha aspecto de ninguém se ter sentado ali para tocar alguma melodia à bastante tempo. No chão estendiam-se tapeçarias que cobriam o chão, mostrando cenas características da época. Ouvia uma música de fundo, talvez apenas eu a ouvisse parecia longínqua, algo semelhante com esta. Estaria a sonhar?

Durante a minha viagem ate ali tinha pensado como seria que tu te tinhas transformado em tudo aquilo que estava a ver ali naquele preciso momento. Conheci-te como um rapaz simples, bem-educado, mas que as vezes tinha atitudes bem mais endiabradas que as minhas apesar de já não sermos nenhumas crianças quando nos conhecemos. Tivemos uma boa amizade naquela altura quando andei por aquele local, um pouco fugida da cidade e da confusão que estava habituada. Uma rapariga citadina como eu, ainda hoje estava para saber como é que durante 2 anos se aguentou num sítio tão isolado como aquele que tinha como umas das poucas ocupações, a coscuvilhice dos vizinhos e a missa aos domingos. Mas a verdade é que ali tinha permanecido, um pouco refugiada, fugindo de uma podridão que saturava o ambiente numa sociedade já por si, degradada, fútil.

E foi numa das poucas festas da região que te conheci. Estavas com um grupo de amigos, que parecia bem animado, apenas tu conseguiste manter a postura, acompanhando as brincadeiras, mas devido ao estado de embriaguez dos restantes, tu destacavas-te pelo ar descontraído e subtil com que apresentavas, sem nunca perder a compostura. Admirei-te por isso.

Cruzamos o olhar e nenhum de nós o afastou durante algum tempo.

Sorrimos. Voltamos a olhar.

 

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Escrito por FlordeLis às 00:00
| Vossas memórias
5 comentários:
De baraujo a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:02
isto merece uma atenção para os novos episodios... vou aguardando... curioso.. pelo desenlasse deste misterio... e como tudo se vai desenvolvendo...

gosto mmo da maneira como descreves a mansao... engraçado... da mmo para imaginar... ser q vais descrever do mmo modo... :P logo se vê!

jinho doce


De melinha a 23 de Fevereiro de 2007 às 13:44
k saudades de ca vir fazer uma visitinha...
e valeu msm a pena, mais uma vez me deliciei e mais uma vez fikei com vontade de ler mais e mais...

bjinho gostei mto


De FELINO a 23 de Fevereiro de 2007 às 16:00
Olá
Momentos de sexo carnal são muito bons mas falta sempre o amor.
Ele não pode ficar à porta!


De Manuel a 23 de Fevereiro de 2007 às 20:18
O mordomo, ah, o mordomo. Nem dei por ele. O que me despertou a atençaõ foi a pequena que estava ao fundo, com vestimenta de serviçal e que quando se apercebeu que eu a olhava com olhos gulosos, levantou a o vestido até acima, deixando me ver uma cuequinha branquinha. Aí, fiquei deslumbrado, e já não sei se tudo isto não passou de uma miragem.
fica bem.


De Leminho a 26 de Fevereiro de 2007 às 21:56
Gostei destas palavras. Gostava mais se, o final fosse o que menos esperamos (é só uma opinião, não tens que concordar!)
Mas gostei da simplicidade.
bj
Gui


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