Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Um conto... (2ª parte)

Voltei a enfiar-me dentro dos lençóis que me cobriram e aconchegaram para bem longe do mundo cinzento que estava lá fora. Pelo menos foi o que senti naquele momento. Parecia querer esconder-me de alguém, de alguma coisa, ou talvez esconder-me de mim, do espelho que teimava em demonstrar uma figura desconcertante que reflectia bem o humor com que estava naquela manhã.

Toca o telefone. Não me levantei para atender. No entanto senti um nó no estômago em não ter atendido, um sentimento de culpa, um mau estar como se tivesse que justificar um acto como este. Dei mais voltas na cama, embora até ali estivesse a sentir-me impaciente, nada me acalmava neste estado. Nem o facto de o silencio me ter invadido, a paz que sentia não era verdadeira, apenas se tratava de solidão, algo triste, algo que me fez por instantes encher os olhos de lágrimas ao recordar o porque daquele estado. Estava a tentar esquecer, mas ali, os pensamentos iam sempre ao encontro de algo amargo, algo que flutuava em todas as divisões daquela casa.

Tinha de fugir dali, o quanto antes. Com muito custo, resolvi meter-me apresentável ao mundo que se encontrava do lado de lá daquelas paredes. Almoçar fora iria saber-me bem, e ao espreitar pela janela, pareceu-me bastante melhor, o céu já não estava completamente coberto de nuvens ameaçadoras, já se apresentavam rasgos de azul no céu. O dia estava bastante mais claro e mais convidativo para uma saída de casa. Depois de demorar o tempo necessário para tomar um banho rápido, meter um pouco de maquilhagem e vestir algo confortável adequado ao tempo que estava lá fora, olhei para o espelho, assim sim, parecia outra pessoa. Alguém bem melhor do que há uns minutos atrás. Senti-me bem mais satisfeita.

Dirigi-me a um restaurante simpático à entrada da cidade que sabia que estava aberto ao domingo, e que apesar da cidade não ter grande movimento naquela dia, conseguiam tirar proveito do facto de a maioria dos restaurantes e cafés da zona estarem fechados, estando sempre quase lotados, mas como cheguei cedo ainda tive possibilidade de escolher uma mesa bem posicionada perto da janela, mesmo ao canto daquela sala, onde se estendiam varias mesas com toalhas brancas de puro linho e uma pequena jarra no centro de cada uma delas. Ao fundo, estendia-se um vasto balcão, com varias bandejas bem distribuídas com pequenos pratos de aperitivos, um enorme arranjo de flores coloridas enchiam o balcão de cor, ao lado dispunham-se guardanapos, galheteiros e garrafas de vinho de todas as regiões. Todo o tecto estava forrado em madeira com pequenos candeeiros espalhados uniformemente dando a divisão um ar e acolhedor e simpático. As paredes num tom amarelado ajudavam ao conforto que se fazia respirar ali, não parecendo ate um restaurante muito comum, devido a atenção que se tinha criado com simples pormenores. Um rapaz circulava com agilidade naquela sala com um sorriso quase encantador, envergando uma farda impecavelmente bem engomada dando-lhe um ar extremamente profissional e cuidado. Tudo parecia ter sido pensado com extremo cuidado e nada tinha sido deixado ao acaso. Já lá tinha estado uma ou outra vez e tinha gostado.

 

 

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Escrito por FlordeLis às 00:00
| Vossas memórias
10 comentários:
De apenasMadalena a 24 de Janeiro de 2007 às 14:47
Fikei mt contente por ver q voltaste a escrever... Já tava c saudades de te "ler" :)
E vou ficar a aguardar o desenrolar, pq desta vez fostes mázinha e deixaste-nos na incógnita do q virá a seguir ;) Será concerteza tão bom como td o q está para trás, pois tens 1 forma mt peculiar de te expressares.
Aguardo então...
Bjokas gandes
Madalena


De a 24 de Janeiro de 2007 às 22:56
OI! Confesso que nao estava mesmo para vir aqui. Mas tambem estava um pouco curioso em saber o que para aqui deixavas.
Nao li tudo... mas gostei do que li.
Continua, leo ... continua assim.
Ate a proxima .


De FlordeLis a 25 de Janeiro de 2007 às 12:30
Obrigada por teres ca passado. Quqluer pessoa é bem vinda desde que venha por bem. Apenas podias te identificar, teria muito gosto em saber com quem estou a falar.



De melinha a 25 de Janeiro de 2007 às 14:58
ha dias em k nos sentimos assim...com vontade de nos escondermos no nosso canto sem sabermos msm do k ou de kem! mas é sempre bom sairmos, arejarmos, para nos sentirmos reconfortados com a frescura do dia.
belo texto (mas gostei mais da 1a parte :D )


De marisa a 25 de Janeiro de 2007 às 15:37
ate a pessoa mais feliz do mundo tem dias assim dias de nada em k se pensa em k estamos em baixo ou porke nao nos apetece nada mas deste mto bem a volta por cima arejar ... beijocas espero k tudo tenha passado


De baraujo a 25 de Janeiro de 2007 às 20:28
ontem bebi um café e no pacote de açúcar dizia q há 'n sei qts' restaurantes, cafes, bares e discotecas no país para n nos deixarmos adormecer... pois bem, só espero q um dia por esses cantos todos, possamos cruzar e disfrutar do prazer de uma esplanada a beber um café!
jinhos




De Sergio Alex a 26 de Janeiro de 2007 às 04:26
Que bom que é o aconchego dos lençóis...


De danilein a 26 de Janeiro de 2007 às 11:49
Amei.......

Lindo, belissimo


Parabens

Dani


De Manuel a 26 de Janeiro de 2007 às 21:36
E nesta noite fria estive por aqui. Os devaneios que a leitura do conto nos possam provocar talvez nos façam aquecer, ou talvez não.
Felicidades.
Um beijinho para ti.
Manuel


De Secreta a 29 de Janeiro de 2007 às 09:42
Hm ... chamam-me a atenção os teus contos ... Gosto!
Beijito.


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