Sexta-feira, 25 de Março de 2011

Conto XXX Parte

Cheguei a casa finalmente.

Tudo estava como tinha deixado apenas eu estava diferente. Ou sentia-me diferente.

Deitei-me pesadamente em cima do sofá e respirei fundo. Fechei os olhos e desejei esquecer tudo naquele preciso instante, a única coisa que queria era adormecer e fazer de conta que nada daquilo se tinha passado. E esquecer Pedro. Isso era fundamental para a minha saúde mental, pensei. Que me adiantava alimentar uma esperança que quando Pedro regressasse e se isso chegasse a acontecer, tudo seria da mesma forma? Até porque nessa altura já estaria a trabalhar e os dias que tínhamos passado juntos iriam ficar no passado e os próximos já não seriam sentidos da mesma forma. Os meus compromissos profissionais já estariam de volta e iriam ocupar a maioria do meu tempo, sabendo eu que poucas horas restariam para mim e para a quase inexistente vida pessoal que já não tinha desde algum tempo. Liguei a televisão, na esperança que algo me distraísse, ainda pensei tentar ler um livro que tinha comprado recentemente, mas estava sem paciência para qualquer um deles. Nada me iria distrair e eu sabia disso perfeitamente.

Olhava para o telemóvel instintivamente na esperança de ver qualquer coisa que me dissesse que estarias a passar pelo mesmo, ou que no mínimo te preocupavas. Nada. Nem uma mensagem. Nem um telefonema.

Estava com fome e só agora estava a dar-me conta disso. Fui até a cozinha preparar algo para comer.

Olhei através da janela da cozinha, a noite já estava escura.

Amanhã Pedro voltaria as suas origens.

E eu ainda tinha uma semana pela frente, tinha era que aproveitar os dias que me restavam para espairecer e deixar os últimos acontecimentos para trás.

E esperar que o tempo resolvesse aquilo que nós não conseguimos resolver como adultos que éramos.

Depois de um banho iria sentir-se melhor tinha a certeza disso.

Estava a preparar-me para isso quando me sobressaltei com o toque da campainha. Mas quem seria aquelas horas da noite?! Hoje não era realmente um dia bom para muitas conversas.

- Quem é? Rezinguei através do intercomunicador.

- Eu. – Disse-me uma voz familiar. – Posso subir?

Fez-se um momento de silêncio. Não sabia o que lhe dizer. Se por um lado estava contente por outro lado não sabia o que mais haveria para ser dito. De repente muitas dúvidas se instalaram mas ao mesmo tempo uma enorme curiosidade sobre o que o tinha feito vir até mim.

- Sim, claro!

Senti algo de bom a invadir-me o peito enquanto esperava, uma onda de felicidade que não sabia bem vinda de onde.


Escrito por FlordeLis às 20:52
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