Segunda-feira, 21 de Março de 2011

XXIX Parte

Percebeu o medo que a consumia.

Por tudo o que lhe tinha contado sobre o seu passado, apesar de ainda não lhe ter contado exactamente tudo, mas pelo menos o que seria mais importante.

Tinha ficado na praia a ver o por do sol, depois de a ter visto desaparecer no horizonte, até onde a vista lhe tinha permitido.

Tinha mesmo de ir até Grimsby, pensava, não havia volta a dar. Por mais que quisesse adiar esta viagem, estava fora de hipótese, pois havia decisões importantes a tomar e que dependeriam apenas dele, muitas pessoas dependiam dele e não as podia desiludir.

Tinha vontade de a ter seguido e tê-la feito parar e dizer-lhe o que estava a começar a sentir por ela, mas o medo da entrega estava a impedi-lo de se dar como gostaria, alguma coisa o bloqueava, e não estava a ser fácil superar esse obstáculo. Ela tinha o passado  resolvido. Ele ainda não. E ai estava a grande diferença entre os dois. Nada estava a correr como tinha planeado, mas a verdade é que tinha acontecido e ele próprio tinha deixado acontecer simplesmente, nada tinha feito para o evitar talvez porque a necessidade de um afecto, um carinho, de alguém que o fizesse sentir diferente também o perseguia, e agora sentia a mágoa que ela estava a sentir, a desilusão, o sofrimento.

Queria puder dizer-lhe que a ida dele seria breve, ou pelo menos queria acreditar nisso, mas sabia que podia não ser bem assim. E se tudo mudasse entre eles? E se quando regressasse, ela achasse que já não valeria apena?

Ainda mesmo antes de ter chegado junto dela nesse dia, ela já sabia que alguma coisa não estava bem, e ele tinha percebido isso nos seus olhos.

Ocorreu-lhe uma ideia, que o fez despertar daquele estado e não sabendo se iria resultar ou não, estava disposto a arriscar. Não fazer nada seria pior, deixar as coisas como estavam seria um grande erro, ele iria lutar por algo mesmo que no fim não valesse apena, mas pelo menos não ia deixar ficar as coisas como estavam, sem arriscar numa possibilidade, sem perder a esperança.

Caminhava agora a passos largos no areal, havia uma possibilidade que não sabia se lhe iria agradar ou não, mas aquela ideia estava a crescer dentro da sua cabeça, e queria chegar ao carro o quanto antes. Não havia tempo a perder.


Escrito por FlordeLis às 08:15
| Vossas memórias

Memórias Passadas

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Julho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Junho 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Maio 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Categorias

amigos(1)

aniversário(1)

ano novo(1)

contos(50)

dedicação(1)

desafios(2)

diário(74)

memórias(5)

musicas(1)

nadas(1)

natal(1)

páscoa(1)

pensamentos(16)

pequenos nadas(3)

poesia(20)

prémios(2)

registos(7)

todas as tags

Protected by Copyscape Duplicate Content Protection Tool