Terça-feira, 8 de Março de 2011

XXVII Parte

De certa forma, fiquei com a sensação que a vontade que tinha de desaparecer era mais forte do que lhe dizer o que me ia na alma, não estava a conseguir disfarçar o meu desconforto, a dor que sentia e até o simples respirar estava-me a sufocar, sentia-me prestes a explodir ou em lágrimas, ou a dizer-lhe tudo o que me estava a passar pela cabeça.

Por outro lado, sabia que aquelas seriam as últimas horas que estaria perto dele, pois partiria no dia seguinte de manha cedo como já me tinha dito entretanto.

Estava demasiado absorvida em todos estes pensamentos e já nem sequer disfarçava, enquanto ele tentava fingir que não percebia o meu estado de espírito, continuando a conversar como se nada se passasse.

- Vamos dar uma volta?

Encolhi os ombros. Abraçaste-me e quase me arrastaste pela praia, já depois de nos termos descalçado.

- Eu vou e volto, não precisas de te preocupar... – disse quebrando o nosso silencio à medida que caminhávamos.

- Mas o meu instinto diz-me que não.

- O teu instinto está enganado desta vez.

- Será?... - Olhei-o fixamente, esperando que reagisse, que me dissesse algo que me deixasse com alguma esperança.

Em vez disso baixou o olhar, como a fugir da minha questão. E isso ainda me agonizou mais a dor que tinha começado a sentir algures quando ainda estávamos na esplanada.

- Porque é que essa tua reacção ainda me deixou com mais certezas do que acabei de dizer?

As minhas palavras saíram frias, calculistas, um nó na garganta atrapalhava-me a fala e percebi nesse momento que estava a tentar afastar-me, criar uma barreira, algo que me defendesse da distancia que nos ia separar, talvez, para sempre.

Estava virada para ti, impedindo o teu avanço no areal, esperava uma reacção, algo que me confortasse, que me afastasse dessas certezas que se clarificavam cada vez mais, com tanto silencio que vinha da tua parte.

- Bem me parecia. - Disse-lhe repentinamente.

E dito isto abandonei a praia.

Não olhei para trás. Em vez disso, apareceram as lágrimas que corriam agora livremente libertando-se da prisão que as tinha mantido até ali.

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Escrito por FlordeLis às 22:15
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