Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

Ainda que...

 

Aqui fica um texto de um amigo que nao se identifica muito com o lado sentimental da vida, mas quando o faz...

 

"Tenho tanto para te dizer, e tudo parece tão confuso.

Lembro-me do dia em que nos conhecemos, como também te deves lembrar, quase há dez anos atrás. Lembro-me de tudo o que nos aconteceu. Deste-te. Dei-te tudo aquilo que ninguém nunca me atribuiu. Habituei-me a ter-te, habituei-me a tomar conta de ti, dos teus problemas, das tuas angústias. Lembro-me de saber quando choravas mesmo quando não o dizias, de sorrirmos mesmo nas alturas em que tudo parecia triste. As palavras, os actos, tudo aquilo que nos habituámos a chamar como nosso. Músicas, lugares, expressões. Fazíamos planos. A vontade de nos completar, de mostrar um ao outro aquilo que não conhecíamos ou não tínhamos experimentado. O dia em que nos apetecíamos, e satisfazia-mos o desejo. Lembro-me de tudo. Lembro-me do primeiro encontro, do segundo, do último.

Mas sobretudo quando te arrancaram de mim. Foi como se tivessem mistificado uma parte de mim que apenas fez parte de uma ilusão, da minha ilusão, parte de qualquer coisa que sinto como imprescindível, essencial. Senti-me substituído, porque já não era preciso para alimentar uma fantasia, porque já não havia fantasia, era real. Passaste a ser Dor. Ainda dói, e não se sabe por quanto tempo mais irá doer. Deixámos de nos apetecer, as conversas passaram a discussões. O medo de falar, o medo que qualquer coisa desencadeie o que de mau temos, substituiu a necessidade de um afecto. Sim, o que temos agora é mau, o que temos agora é tudo aquilo que ninguém quer. Passámos a ter outro tipo de músicas, outros locais. Passámos a ter recordações menos boas e até más. Não sei por quanto tempo mais ficaremos assim. Sei que nunca mais voltaremos a ter o que tivemos. Provavelmente iremos sempre ter qualquer coisa por dizer, mas o receio irá sempre sobrepor-se à vontade de o revelar. O que quer que seja que guardemos, não vamos expor porque havemos sempre de achar que não será o momento. O que de mau nos marcou é muito forte, por vezes bem mais forte que o que de bom ficou.

E o mais curioso de tudo é que nunca saberemos o que nos uniu. Mas vamos saber sempre o que nos separou."


Escrito por FlordeLis às 14:53
| Vossas memórias
2 comentários:
De Lana a 3 de Fevereiro de 2011 às 18:19
Olá

Este texto está carregado de tristeza.
Que aconteceu ao autor do texto?


De Autor a 3 de Fevereiro de 2011 às 23:14
O que aconteceu ao autor... Digamos que mais uma vez, e sem razão aparente, history repeats itself. Mais uma vez, e sem razão aparente algo mudou. Mais uma vez e sem razão aparente perdeu alguém. A diferença é que há uns anos atrás, não pode fazer nada para mudar, não pode sequer tentar saber porquê. Desta vez aprendeu com os erros e tentou fazer alguma coisa. Perdeu na mesma, a diferença é que agora sabe porquê...


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