Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Conto XV Parte

Almoçamos numa espécie de tertúlia em que definia como a sua 2ª casa, visto que conhecia o dono há anos, desde que se tinha mudado para lá.

Passamos o resto do dia pela praia onde me mostrou os recantos que eu desconhecia nas rochas e na enseada e ate demos uma volta de barco pela costa.

O dia passou a correr. Quando demos conta já o sol se punha e fomos ate à praia para assistir aquele espectáculo.

- Não gostava de morar em qualquer outro lugar. Aqui sinto-me em paz. Disseste-me.

- Pois. Percebo porque. Pedro…

- Sim.

- Tenho uma coisa para te dizer.

- Diz…

- Eu não me chamo Joana…

- Não…?

- Não. Leonor.

- Tudo bem.

- Espero que percebas que não me sentia lá muito à vontade naquele dia.

- Sim, claro. – Fez-se um silêncio aterrador, onde apenas se ouviam as ondas do mar. Não tens de ir…? Perguntaste-me com uma indiferença, que me congelou da cabeça aos pés. Percebi que tinha estragado tudo.

- Sim.

- Eu levo-te ao carro.

Caminhamos em silêncio.

O mal já estava feito, não poderia remediar o que não tinha mais remédio, nem podia voltar atrás.

- Chegamos.

- Foi um dia agradável.

Engoli em seco.

- Pois foi. Pedro, alguma coisa mudou…?

- Não, esta descansada.

- Não é isso que estou a sentir.

- É impressão tua.

Sorriu. Aproximou-se e deu-me um beijo na testa. O meu corpo vibrou. Olhei-o nos olhos. Desviou o olhar como de quem foge de uma realidade que sabemos que não vamos conseguir evitar.

Segurei o teu rosto entre as minhas mãos, obrigando-te a olhar para mim.

- O que é que se passa?

- Nada.

- Pedro, eu sei que se passa alguma coisa. Parece que me estas a evitar.

- A evitar o que…?

- Isto.

O desejo acumulado da vontade que tive de te beijar durante todo aquele dia, a vontade que demonstraste ter em resposta, deu lugar a um beijo com um sabor intenso, uma ânsia que culminou numa fúria que vinha bem do fundo, sequiosa de paixão, do gosto, de nós. Só paramos quando não conseguimos mais suster a respiração, quando te deste conta que provavelmente já estarias à demasiado tempo a apertares-me contra ti com a violência que o desejo assim impunha.

Olhei para ti, quase em jeito de desespero.

- Pedro…

- Shiuuuuu… não digas nada. Deixa-te estar assim.

Envolveste-me novamente nos teus braços, e deixamo-nos ficar num silêncio que parecia como quase obrigatório.

 


Escrito por FlordeLis às 17:45
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