Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

Conto IX Parte

Mais um novo episodio, episódio anterior... aqui.

 

 

Já não sabia se me sentia pior agora ou se antes de ter entrado. Estava-me a sentir uma completa intrusa apesar da hospitalidade oferecida, e aquele silencio que se tinha instalado estava-me a deixar ainda mais desconfortável. E não parecia que era só eu que me estava a sentir assim, pelo menos foi a sensação que aquele silêncio me estava a dar.

- É melhor ir-me embora…

Olhei-o na esperança que me dissesse que não, mas a calma instalou-se mais uma vez.

Levantei-me e preparava-me para me ir embora, quando uma mão me agarrou um braço e me impediu de progredir.

- Não vá. Não vale a pena ir-se meter novamente na tempestade. Ainda apanha alguma gripe sem necessidade. Vamos até ao pé da lareira para ver se enxuga a sua roupa.

Senti um arrepio que me subiu a espinha sem que pudesse ter evitado. Apanhada de surpresa naquele toque, fiquei estática por instantes.

Foram as maiores trocas de palavras que Pedro tinha tido até agora comigo. Sentamo-nos em silêncio a aquecer-nos. Senti que me observava disfarçadamente, sentia o seu olhar a avaliar-me, não no sentido de mulher, mas como pessoa.

- Moras por estas bandas? Posso tratar-te por tu?

-Não, moro a 70 klms. Sim, podes.

- De passeio portanto…

- Sim, estava. Se o clima não o tivesse estragado.

- O clima aqui é demasiado imprevisível. Só que há quem teime vir para cá passar férias mesmo assim todos os anos.

- Não se pode condenar. Todos gostam de momentos de paz e de diversão com a família durante as ferias.

- És pescador? Resolvi arriscar.

- Sim, nas horas vagas. Soltou uma gargalhada que ecoou na sala… Não, estou a brincar, sou pescador não para comercializar mas apenas para mim.

- Gostas de viver aqui sozinho?...

- Gosto. Ninguém me incomoda.

- E não te sentes demasiado isolado por estas bandas?

- Estou bem assim.

Pareceu-me incomodado e repisar os motivos de tal opção de vida talvez fosse um erro.

A tempestade lá fora parecia ter acalmado. Ainda se sentia o barulho da chuva com intensidade mas o vento já não soprava com a mesma energia. A tempestade tinha dado lugar a um dia de chuva normal.

- Mais um pouco e já possa regressar a casa…

- Sim, parece que se esta a compor… - Depois de dar uma rápida olhadela do lado de lá da janela.

Pedro estava a ser um mistério apesar de a conversa ter progredido agora sobre os interesses locais, sobre a vila, ou até sobre a sua actividade.


Escrito por FlordeLis às 00:00
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