Domingo, 7 de Novembro de 2010

Conto VIII Parte

Bati à porta com algumas pancadas fortes, não saberia se me ouviria com o barulho que o vento fazia à medida que fustigava tudo em redor.

A porta abriu-se passados alguns segundos e lá dentro dava para ver uma pequena lareira que já estava acesa, cheirava a madeira queimada, aquele cheirinho que me fazia lembrar o tempo da minha infância quando a minha avó acendia a lareira e me fazia o lanche, uma caneca de leite e café a fumegar e umas torradas acabadas de ser barradas com manteiga.

- Posso entrar?... Perguntei ainda renitente, sem saber bem qual seria a sua reacção.

- Claro, entre. Estava a ver quanto tempo ia resistir ficar ai fora.

Olhei para ele, mas resolvi ignorar. Afinal precisava de ajuda e não valia a pena negar isso, nem criar desavenças naquela altura.

- Obrigada…

- Sente-se nessa poltrona, vou buscar-lhe uma toalha para se limpar.

Desapareceu atrás de outra porta e regressou segundos depois com uma toalha bem dobrada e passada a ferro.

Sorri em jeito de agradecimento.

Comecei por secar os cabelos, estavam completamente encharcados. A pouca roupa que tinha vestida estava colada ao corpo, pouco haveria a fazer, apenas esperar que secasse e que o tempo melhorasse para que pudesse regressar a casa tomar um banho e colocar-me realmente confortável.

Dei por mim a observar aquela casa enquanto me secava como podia. Tinha um aspecto rústico como da parte de fora, a pequena sala e a cozinha eram a primeira divisão da casa, visto que se fundiam num só compartimento separadas apenas por um biombo em madeira, a poltrona onde estava era em verga assim como a mesa ao centro e um pequeno móvel que fazia parte da sala.

Do local onde me encontrava dava para ver que continuava ocupado sem me dar grande importância.

- Como se chama? Perguntei-lhe.

- Pedro, disse-me. E a menina?

- Joana. Disse compulsivamente sem querer revelar a minha verdadeira identidade, ainda hoje não sei bem porque é que o fiz, mas foi a decisão que mais me pareceu acertada naquela altura. – Reside aqui?

- O que é que lhe parece? Deitou-me um olhar quase como a desdenhar aquela pergunta como se a resposta fosse demasiado óbvia.

- Pois, não sei. Por isso perguntei.

Olhou para mim, respirou fundo, abriu a boca para responder, mas em vez disso apontou para a pequena mesa da cozinha, e convidou-me a sentar para beber o chá que tinha acabado de fazer.

Resolvi não tocar mais no assunto.

- Beba, vai-lhe fazer bem.

- Obrigada. Novamente…

- Não me agradeça, é o mínimo que posso fazer para a fazer sentir mais confortável.

Todas aquelas respostas frias e distantes fizeram-me pensar que aquele homem não devia ser muito dado a dialogo, parecia sozinho no seu mundo, reforçando a ideia que tinha tido anteriormente dos habitantes daquela casa, antes até de o ter conhecido.

Bebemos chá em silêncio, apenas se ouvindo o crepitar das chamas e a tempestade lá fora.


Escrito por FlordeLis às 09:38
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