Sábado, 28 de Outubro de 2006

Novamente...

Não restavam dúvidas que este homem não era um homem qualquer.

Raros se dariam a este trabalho nos dias de hoje, e este parecia ser bom demais para ser verdadeiro mas a realidade é que todos os dias, lá estava mais uma rosa na caixa do correio e até os meus vizinhos já me olhavam com uma certa cumplicidade, esboçavam um ligeiro sorriso quando me viam, afinal eles também se apercebiam vagamente do que se estava a passar, e eu já me andava a sentir um pouco enredada com aquela situação. Teria que resolver isto o quanto antes e não me sentia com coragem para adiar mais este encontro que parecia inevitável. Queria olhar-te nos olhos e compreender as tuas razoes, a minha curiosidade nesta altura já era demasiado grande e talvez por teres respeitado o facto de me deixares decidir quando voltaríamos a estar juntos, fez com que te desse mais uma oportunidade, no fundo para ambos.

A seguir a um bom banho e a um jantar ligeiro, fui até ao café onde sabia que habitualmente irias todas as noites, à hora do costume, e sentei-me numa mesa de maneira a que entrasses e não te apercebesses logo da minha comparência, queria olhar para ti, observar-te sem que me visses, queria fazer-te uma surpresa, saudei a senhora que me tinha dado aquelas valiosíssimas informações naquele dia, e pedi algo para mim… enquanto aguardava que chegasses, fui descobrindo as ultimas noticias do dia e cada vez que entrava alguém naquele café, a minha atenção dirigia-se unicamente para a entrada do estabelecimento, mas ainda não eras tu, com muita pena minha. Á medida que os minutos passavam sentia-me cada vez mais agitada, mas tentava manter-me calma, sem tentar dar a entender o que fazia ali, a senhora que estava ao balcão olhava de vez em quando para mim, ela tinha fixado bem o meu rosto desde aquele dia, e parecia decifrar o porque da minha presença aquela hora naquele café,visto não ser um hábito, de vez em quando dirigia-se à minha mesa para perguntar se estava tudo bem, e eu acenava-lhe que sim com a cabeça, sorrindo…

Estava distraída a olhar para um programa que estava a começar naquele exacto instante quando senti movimento vindo da porta do estabelecimento e assim que reparei, fiquei petrificada, eras tu, com um olhar visivelmente animado, fazias-te acompanhar por uma mulher mais ou menos da mesma idade, cativante, com cabelos longos, e um sorriso fácil, pareciam trocar confidencias com um certo a vontade, e da maneira como estavas absorvido nem te deste conta de quem estaria por ali.

Era mau demais para ser verdade!!!

Não queria acreditar no que estava a ver, afinal tinhas-me enganado, talvez nada do que tinhas dito fosse o que realmente sentias, apenas um embuste que usarias com tantas outras. Mais uma decepção que estava a ter por causa daquele libertino que adorava fazer jogo sujo com qualquer mulher, e que lhe devia dar imenso prazer, talvez fosse o seu passatempo preferido, pensei eu. Naquela altura senti uma enorme fúria, um enorme sentimento de ódio por ter acreditado em ti, e sentia-me igualmente idiota por ter acreditado na tua sinceridade, apenas me apetecia dirigir-me a ti e dizer tudo o que tinha atravessado para te dizer.

Respirei fundo, levantei-me, sentia as mãos a tremer, o coração a bater apressadamente. Dirigi-me ao balcão, paguei e resolvendo não deixar a minha visita passar em branco, ia agora fazer questão que soubesses que estava ali e que não me farias mais de tonta. Passei pela mesa onde ambos se tinham sentado, e propositadamente toquei-te na cadeira onde estavas instalado.

- Peço desculpa, foi sem querer! Disse-te cinicamente com uma vontade de te chamar todos os nomes e mais alguns, mas ao inverso disso, olhei-te fixamente para ver a tua reacção. Não me esperavas ali e isso viu-se quando te apercebeste que era eu. Ficaste sem saber o que dizer, surpreso com a minha presença, nem conseguiste proferir uma simples palavra.

Virei-te as costas, sai do café. Chovia a potes, até o tempo não ajudava. Desta vez não me apetecia chorar, estava demasiado revoltosa para isso, apenas me apetecia afastar-me  o mais rápido possível dali e seguir com a minha vida.

Em vez disso sentei-me no carro, fechei os olhos para ouvir a música que estava a dar na rádio.

Abstrai - me do resto do mundo…

 

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Escrito por FlordeLis às 00:00
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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2006

"A rosa"

O resto do fim-de-semana correu dentro da normalidade mas não deixava de pensar no que tinha acontecido, as tuas palavras latejavam dentro da minha cabeça, e apenas me concentrava nos porquês. Queria apenas entender as tuas motivações, o que te tinha levado a teres tais atitudes, primeiro o facto de teres andado a seguir-me, sabias onde trabalhava, a rua onde morava, os meus gostos, enfim, e finalmente porque é que não me querias justificar este teu interesse por alguém que te era totalmente desconhecido, afinal, tratava-se da minha vida e da minha privacidade, ocorriam-me algumas justificações mas todas elas sem saber se teriam algum fundamento.

Na manha de segunda-feira, dirigi-me como habitualmente ao meu local de trabalho, deixando aqueles pensamentos onde pertenciam, ao passado.

Parei numa pastelaria que ficava muito próximo da loja e saboreei um delicioso café bem quente naquela manha tão cinzenta. A chuva deixava antever um dia triste, o normal nestes dias de Inverno…

A manhã passou normalmente, sem sobressaltos pelo menos exteriores ao meu trabalho, pois o meu trabalho sempre foi algo que ocupava muito de mim, e situações inesperadas aconteciam todos os dias, sai para almoçar já algo tarde. Quando cheguei, avisaram-me que tinha chegado um embrulho dirigido a mim, o que pensei que teria a ver com alguma coisa da loja, mas como estava sem remetente estranhei.

Abri-o e para meu espanto estava perante o livro, que tinha acabado por deixar em cima da mesa do restaurante e que ele tinha trazido para me entregar de volta naquela noite, mas com aquela minha saída repentina, tinha ficado novamente com ele, e agora tinha se dado ao trabalho de me vir entregar outra vez. Fiquei espantada, já começava a duvidar se aquela história iria ter algum fim, e nem sabia bem se queria que tivesse, afinal tinham ficado algumas coisas por esclarecer e isso não me saía da cabeça. Ao abrir a primeira página, lá dentro tinha mais um bilhete, e tive receio de o abrir. Já não sabia mais o que devia pensar sobre aquele homem que tinha despertado a minha atenção, depois do que tinha acontecido. Abri-o e vi o que tinha escrito: “Lamento que tenha saído daquela forma do restaurante, entendo a sua atitude e espero que me perdoe mas que me deixe explicar, peço-lhe uma última oportunidade.” Queria muito saber qual a explicação que tinha para me dar, mas tinha receio do que seria essa mesma explicação e de sofrer mais uma desilusão.

Apenas sei que a minha concentração no resto do dia, desceu a um nível surpreendente, e não conseguia me concentrar em mais nada senão naquele bilhete. Já tinha estado disposta a esquecer tudo aquilo e novamente estava entre a espada e a parede, numa batalha com o meu coração e a minha consciência, mas não conseguia negar a mim própria que queria memo saber quais os motivos daquele homem, não me assustava apesar de tudo surpreendia-me isso sim, e deixava-me curiosa principalmente!

Quando me dirigi para casa após mais um dia de trabalho, um pequeno vulto na abertura da minha caixa do correio despertou a minha atenção.

Era uma pequena rosa vermelha que vinha acompanhada por uma mensagem… Esperarei e enviarei todos os dias uma rosa até que se decida a encontrar-se comigo.”

Bem, posso-vos dizer que achei bastante romântica, esta situação e apenas por teimosia adiei mais uns dias o meu telefonema, apenas para constatar se seria verdade o que vinha escrito naquele bilhete.

Nos dias seguintes ali estava mais uma rosa à minha espera. Sorria, levava-a para casa e juntava às outras dos dias anteriores.

 

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Escrito por FlordeLis às 00:00
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Domingo, 22 de Outubro de 2006

"O jantar"

Estava ansiosa por aquele momento!

Apesar de não querer parecer agitada com aquela situação a verdade é que me tinha perturbado e enquanto escolhia o traje mais apropriado para aquela ocasião senti o nervosismo a crescer de minuto para minuto.

Escolhi uma roupa sóbria mas com um ligeiro toque de sensualidade. Queria que tudo fosse perfeito naquela noite, independentemente do que iria acontecer dali para a frente.

Dirigi-me ao restaurante.

A entrada era bastante simples, com um pequeno candeeiro à entrada a iluminar uma porta de madeira bem tratada. Costumava ter uma música ambiente bastante discreta que permitiria uma conversa agradável, sem aquelas interrupções desagradáveis que acontecia em alguns locais quando a musica estava demasiado alta. Cheguei alguns minutos mais tarde em relação à hora combinada com receio de jantar sozinha pois poderia correr esse risco.

Quando entrei e desci as escadas em direcção à sala de jantar, procurei-te com o olhar e avistei-te numa mesa disposta num local discreto um pouco mais ao fundo da sala…

Sorriste ao ver-me chegar e depressa como qualquer cavalheiro levantaste-te e ajudaste-me a sentar.

O teu sorriso deixou-me enternecida e senti as pernas a tremer por baixo da mesa. Olhavas-me nos olhos e o teu olhar estava límpido, fixo em mim. Sentia-me uma adolescente, naquele momento, transmitias-me acima de tudo sinceridade e despretensão. Devolvi-te o sorriso de volta. Reparei ainda que em cima da mesa, estava o livro, o nosso livro, pois tinha-se tornado o elo de ligação entre nos, e sorri ao vê-lo.

Durante o jantar a conversa desenrolou-se normalmente, como se já nos tivéssemos conhecido à bastante mais tempo, e finalmente contaste-me um pouco da tua vida, do teu trabalho, como ficaste viúvo, a tua vida desde então, e toda a tua vivência quase me trouxe lágrimas aos olhos apenas de te estar ali a ouvir, parecia viver tudo aquilo sentindo o que terias sentido no passado, acabei a dar por mim a contar-te situações que sempre guardei e que raramente transmitia aos outros, desprendi-me aos poucos, sem me dar quase conta disso. Senti a tua atenção, afinal estavas tão curioso quanto eu, o me confessaste mais tarde, o facto de teres adiado o telefonema tinha-se tornado quase insuportável, mas tinhas tido muitas coisas a fazer, o que tinha já calculado, mas preferia acreditar que não estarias interessado realmente.

Naquele instante senti um desejo, uma vontade louca de te dar um beijo ardente bem molhado, bem arrebatado, bem sentido! …

Respirei fundo, engoli em seco!

Estava a tentar conter algo que não sabia por mais quanto tempo iria conseguir, mas parecias calmo e sereno, que nada te estaria a afectar e achei por bem, resfriar a minha vontade carnal de sentir aqueles lábios suculentos que me tinham despertado a atenção logo no primeiro dia…

Revelaste-me que sabias onde eu trabalhava e que não era apenas desde aquele dia que me conhecias, mas que só tinhas te sentido tentado a abordar-me naquele altura que me viste no centro comercial… ali tinha-te parecido o momento certo.

Aquela revelação tinha caído que nem uma bomba!

Não sei o que senti naquele momento, se surpresa por me teres dito que já me observavas à já algum tempo, se desconfiada com aquela tua atitude, sentia-me certamente confusa com o que me tinhas acabado de me contar.

Acabamos a nossa refeição silenciosamente, acho que me deste tempo para reflectir e continuarmos o nosso encontro se assim o desejasse. Perguntei-te finalmente, o porque da tua curiosidade e adiaste a resposta propositadamente, e resolvi não insistir mais naquele pormenor que preferias esconder. A dada altura pousaste a tua mão na minha, talvez um pouco em jeito de desculpa, estremeci ao sentir o teu toque, mas aquela historia fez-me resfriar aquele desejo que se tinha apoderado de mim, à momentos atrás. Senti que nada que pudesses fazer naquela altura iria alterar o meu estado de espírito e entendi que mais nada estaria ali a fazer. Sentia-me triste e tinha perdido a confiança que tinha começado a sentir, senti-me desapontada e traída.

Olhei-te nos olhos, pedi-te desculpa e abandonei o restaurante.

 Vagueei pelas ruas sem destino, senti vontade de chorar, apetecia-me estar apenas sozinha. Sentia-me traída, enganada, gostava que me tivesses explicado o porque, Tinha bastado isto, mas ate isso tinha ficado sem resposta e foi o que me fez sentir ainda pior.

Finalmente, já cansada de tanto tentar arranjar uma explicação para tudo o que se tinha passado, decidi voltar para casa e tentar dormir.

Iria tentar esquecer aqueles últimos acontecimentos e meter uma pedra sobre o assunto.

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Escrito por FlordeLis às 00:00
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Quarta-feira, 18 de Outubro de 2006

" Destino- parte III "

Durante o resto da tarde além do meu trabalho, fui cogitando na hipótese que tinha arranjado para inverter o feitiço contra o feiticeiro, naquele jogo de sedução, e dava-me algum prazer encarar agora aquele jogo tão inesperado com outros olhos. Não sabia como seria o desfecho mas se nada acontecesse ficaria por ali aquela história e nunca mais voltaria a pensar no caso. Ignoraria por completo aquele incidente e o assunto morreria por ali.

Ao fim da tarde depois de uma passagem breve por casa, resolvi pegar no livro e sair… dirigi-me ao estabelecimento, e fui até ao balcão. Perguntei se por acaso conheciam aquele cliente com aquele nome, e a resposta para minha surpresa foi que sim, que se tratava de um cliente habitual e que residia ali perto. Para minha sorte, tratava-se de uma senhora amável e que gostava de conversar, o que fez com que descobrisse sem grande esforço mais alguns particularidades sobre este homem. Descobri que era viúvo, e que parecia simpático, apesar de ser reservado com a sua vida pessoal. Agradeci e despedi me, apesar daquela simpática senhora me querer manter no café com a convicção que daqui a mais alguns minutos ele se encontraria ali para tomar o seu café habitual, ao qual me defendi dizendo que estava com um pouco de pressa e que não podia esperar, mas que agradecia que lhe entregasse o livro com um sobrescrito que meti por dentro, que não passaria despercebido aos olhos dele e no qual tina escrito a seguinte mensagem:

Se realmente tem algum interesse em conhecer-me, telefone-me e marcaremos um novo encontro, desta vez marcarei eu o local e a hora.”

Sai. Fiquei a pensar; viúvo e tão novo, alguma coisa se teria passado, muito grave, pensei eu.

Pensei no que provavelmente iria acontecer, ou iria ignorar o meu desafio, ou iria sentir-se desafiado e surpreso com o virar dos acontecimentos e reagiria mal, ou então resolveria aceitar aquele jogo e que os termos seriam outros e não os dele, o que nem sempre nos homens provoca uma boa aceitação. Iria tornar esta história bem mais interessante, quase fazia lembrar os tempos de escola, mas desta vez o risco e as consequências eram outras tornando também o desafio muito mais excitante!

(Ahahahah...)

Pensei que provavelmente teria algum resultado em breve, o que para minha surpresa não aconteceu naquele dia, passou outro, mais outro e a semana passou sem alterações, o que me deixou desapontada, porque aquela espera sem saber o que iria acontecer a partir dali estava a deixar-me ansiosa e impaciente. O silêncio dele estava a deixar-me ainda mais curiosa, mas ao mesmo tempo triste. Não percebia bem porque ou nunca o quis aceitar, mas percebi que o desejo de o conhecer aumentava positivamente de dia para dia.

Mas o meu orgulho era maior e não seria eu a ligar-lhe desta vez…

Se quisesse aceitar, teria que ser ele.

Naquela sexta feira, a caminho de casa, o telefone tocou e ao pegar no aparelho o numero que apareceu fez-me soltar uma gargalhada, e senti-me vitoriosa ao perceber que era ele e que tinha despertado nele algum interesse. Deixei tocar algum tempo, encostei e atendi.

- Boa noite. Espero que não fique surpresa com o meu telefonema. – Disse em tom agradável esperando a minha reacção por alguns segundos.

- Fiquei, já não esperava que me telefonasse. Mas ainda bem que o fez. - Não queria acreditar no que tinha acabado de dizer!

- Por algum motivo em especial…?

- Não, apenas curiosidade.

- Afinal está curiosa….

- Nem por isso… – percebi imediatamente que nem eu acreditava nestas palavras quanto mais ele.

- Espero um convite seu. Estou às suas ordens. – Disse-me aquela voz grave mas que me deliciava com o seu timbre e sonoridade.

- Jantamos amanhã, pode ser? Perguntei eu receosa de receber uma resposta positiva esperando ardentemente que já tivesse planos e que recusasse o meu convite.

- Podemos sim. Onde e a que horas?

Parei para reflectir. Não estava mesmo nada à espera desta resposta e passados alguns instantes marquei num restaurante discreto e simpático um pouco afastado da cidade, e que para minha surpresa ele também conhecia.

- Lá estarei conforme combinado.

Despedimo-nos com alguma pena minha e fui para casa.

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Escrito por FlordeLis às 23:19
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Segunda-feira, 16 de Outubro de 2006

"Destino- parte II"

Nunca mais me recordei daquele papel esquecido dentro da mala.

A semana tinha passado e fui lendo o livro nos poucos intervalos que tive para o fazer e aos poucos ia devorando aquelas palavras, assim como costumo fazer com todos os livros que me captam a atenção e que despertam verdadeiramente o meu interesse.

Uns dias mais tarde, tentando organizar a confusão instalada de papéis que se tinham acumulado no fundo da bolsa, voltei a deparar-me com a presença daquela mensagem. Decidi voltar a guarda-la mais uma vez, aquele homem tinha-me desafiado e de alguma forma isso tinha mexido comigo embora não me apetecesse acreditar que tinha agitado a minha curiosidade mas a realidade é que tinha conseguido… afinal ele devia fazer aquele gesto varias vezes com varias mulheres, portanto, eu seria apenas mais uma, e não me apetecia passar por frágil ou caçadora de homens que aproveitam qualquer oportunidade que lhe aparece à frente.

Acabei de ler o livro…

Um dia, apesar dos pensamentos anteriores, enchi-me de coragem, e liguei, apenas com o intuito de agradecer o conselho de me ter recomendado o livro. Mal não faria, ninguém sairia prejudicado com aquele acto que parecia inofensivo naquela altura.

- Estou…? Disse-me a voz do outro lado que identifiquei, embora que vagamente, com a voz que tinha ouvido naquele dia.

Hesitei por uns segundos.

- Boa tarde. Queria lhe agradecer por me ter aconselhado aquele livro. Sabe com quem esta a falar?

- Gostou?

- Sim, trata-se de uma história interessante… mas como sabia que eu gostava daquele tipo de livro?

- Bem, se quiser saber, só terá uma coisa a fazer. Encontrar-se comigo no café à saída do centro hoje às 21h.

- Mas….

- Estarei lá à sua espera.

Ouvi um click do outro lado e percebi que tinha desligado.

Isto já era demais! Não queria mais nada! Egocêntrico, pensava eu furiosa com o que tinha acabado de ouvir! Devia pensar que eu agora iria atrás dele. Era só o que mais faltava, e com estes pensamentos dei comigo a caminhar a passos rápidos furiosa com o que tinha acabado de acontecer, vociferando pelo caminho fora. 

Estes jogos de sedução podiam ser interessantes, mas não para mim, e muito menos quando não era eu que tomava as rédeas do jogo! Não queria mais nada, devia pensar que estava a lidar com alguma desesperada, que anda à procura de algum príncipe encantado ou de algum homem para a satisfazer. Infeliz! Nunca fui mulher de me ficar quando alguma coisa não me convinha e não seria agora que iria aceitar regras de um desconhecido que por mais interessante que fosse, e que até tinha sido ele que tinha começado com esta palhaçada toda, eu tinha o meu orgulho e quando ele se revelava muito difícil se tornaria me dar a volta.

De repente, ocorreu-me uma ideia. Hum… comecei a formar um sorriso traquina no canto dos lábios, denunciando completamente os meus pensamentos que me ocorreram naquele instante. O meu lado traquina tinha-se apoderado de mim e os meus pensamentos voaram a mil. Imaginei uma série de cenas possíveis para dar a volta à situação.

As regras do jogo iriam mudar, meu caro!

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Escrito por FlordeLis às 00:00
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