Quero sorrir!
Para além do sentir…
Quero ver para além
Do óbvio
Quero partir!
Para não ficar
Quero estar
Para não ter que fugir…
De ti.
Quero gritar!
Para que me ouças
Quero ouvir
Para que nada
Fique por dizer
Quero falar
Para que as palavras
Cheguem onde gostaria
Que ficassem…
Em ti.
Quero correr
Para alcançar
Quero saber
Onde me posso
Esconder
Quero saber
Ao que me leva
O sentimento que me corre
Nas veias
E que me atropela
No que realmente
Sinto e existe.
Em mim.
Uma história de um casal comum,igual a tantas outras.
Vamos chamar-lhes a ela Maria. A ele Luis. Duas personagens. Duas histórias que se cruzam.
Senti-o chegar.
O silêncio quebrou-se quando estranhando a escuridão entreabriu a porta do quarto cuidadosamente.
Respirava-se sensualidade naquelas quatro paredes misturada com o aroma a jasmim e a rosas que as velas deixavam, um estreito trilho de pétalas mostrava-lhe o caminho da porta até à brancura do corpo que jazia no seu leito apenas coberto com algumas pétalas brancas e vermelhas que colocadas estrategicamente conseguiam permanecer ainda no mesmo sítio. Luis abriu a porta completamente. Sorriu ao admirar o cenário e demorou mais algum tempo a contemplar o ambiente em que Maria estava rodeada. Dirigiu-se até ela e no meio de apenas alguma luminosidade que as velas davam aquela divisória conseguiu detectar em que posição Maria se encontrava, deitada de lado, apoiada apenas num dos cotovelos, aguardando pela sua chegada apenas com um copo de vinho que segurava com uma das mãos. Chegou-se até aquele corpo, sentou-se e tocou-lhe como que à procura e brincando aleatoriamente ia retirando pétala apos pétala, com a ponta dos dedos, muito devagar. Não parecia ter pressa em descobrir se haveria mais algum tipo de surpresa ate porque estava completamente embebido no ambiente que Maria lhe tinha sido preparado a pensar naquele dia especial para ambos. O seu toque arrepiava-a e parecia prolongar-se á medida que cada dedo roçava na sua pele, ela tentava adivinhar onde ele lhe tocaria a seguir. Mas Maria tinha algo mais à sua espera, algo que não sabia até que ponto Luis aceitaria ou não, até porque em conversas anteriores, ele tinha dito que seria improvável acontecer. Pelo menos com ela. Nesta noite Maria estava disposta a arriscar, estava disposta a ver a sua reacção, até onde Luis estaria disposto a ir, ou até onde se deixaria levar...
(...)
Hipnotizas-me.
Sempre que me olhas com esse olhar sedutor que me devora lentamente sem pressas no que vai acontecer a seguir. Sempre que fixas a tua atenção em mim e me fazes perceber isso mesmo, pela maneira como sentes que a minha pele se arrepia contigo por perto. Sempre que as nossas línguas se cruzam e se entregam a longos e prolongados toques que nos aquecem mutuamente e ignoram o frio que nos envolve. Sempre que te seduzo com o meu olhar e me sinto envolvida na profundidade do teu. Sempre que o meu corpo procura o teu nas suas profundezas, nos mais recônditos momentos de entrega.
Sempre que a minha alma rodopia com a tua numa dança que apenas nós conhecemos os passos!
Não ter medo de caminhar quando a vontade é de correr. Não ter medo de sentir quando algo nos fere por dentro. Não ter medo de fugir quando se sente medo. Não ter medo de revelar o que se sente, quando sentimos. Não ter medo de viver, quando perdemos. Não ter medo de ficar quando tudo nos diz para partir. Não ter medo de partir, quando a nossa presença pode parecer fundamental. Não ter medo de gritar ou permanecer calado quando achamos oportuno, não ter medo de chorar quando as lagrimas se querem sentir livres. Não ter medo de transmitir tristeza quando existe. Não ignorar sentimentos, nem momentos que nos parecem especiais. Não ter medo de sentirSaudade, quando nos dói no peito.
Não ter medo de Amar, quando o Amor vive em nós e nos sentimos sós.
Sente. Vive. Enlouquece. Pois só assim vale apena VIVER.